sábado, 7 de Novembro de 2009

Rastreio nacional à displasia da anca

A partir de Janeiro de 2010, vai iniciar-se um rastreio nacional da displasia da anca. O objectivo é evitar diagnósticos tardios, que ainda acontecem e comprometem o tratamento de uma doença que atinge três em cada mil bebés. Sendo um problema relativamente fácil de resolver se for tratado nos primeiros meses de vida, pode levar a doença degenerativa da anca e a osteoartrite na idade adulta, caso não o tratamento não seja realizado em tempo útil. Cassiano Neves, director do serviço de Ortopedia do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, em declarações à agência Lusa, afirmou que continuam a chegar àquele hospital crianças com diagnóstico tardio, em número que já deveria hoje ser menor: «De 2005 a 2008, ainda observámos cerca de 220 crianças com diagnóstico tardio.» «Manda a boa prática que se procurem melhores soluções», afirma. E a melhor solução passa precisamente pelo rastreio a nível nacional «para que todo o país fale a mesma língua», adiantou o especialista. «A metodologia de observação é muito díspar. Se calhar há zonas do país a funcionar muito bem e outras não. Daí a necessidade de um protocolo a nível nacional. É fundamental que todos saibam como identificar este problema e que os doentes possam chegar rapidamente aos hospitais», considera Cassiano Neves.
O rastreio, que deverá ser feito a todos os recém-nascidos, irá permitir reduzir significativamente o diagnóstico tardio. O director de ortopedia do Dona Estefânia tem esperança que essa seja uma realidade no final de 2010.


Segunda ronda

...de presentes do segundo aniversário da Joana: os meus pais já chegaram a Lisboa!

Não é todos os dias

...que recebemos um ramo de flores dos directores da empresa onde trabalhamos!

Com efeito, durante a semana que passou, tivemos os directores alemães nas nossas instalações devido à comutação do sistema informático. E, para além de chocolates, ontem fomos presenteadas com ramos de flores pelo facto da alteração de sistema informático ter sido bem sucedida e também devido ao facto de ontem ter sido o dia de regresso dos nossos directores a Munique. Parece que a empresa ficou mais vazia, verdade seja dita, porque, mesmo sem todos estes miminhos, sentimos que são pessoas especiais. Um muito obrigada e, agora digam-me, penso que Portugal ainda tem muito a caminhar para reconhecer o empenho dos seus trabalhadores...por vezes basta um miminho assim para fazer toda a diferença!

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Púrpura de Henoch-Schönlein

A púrpura de Henoch-Schönlein (PHS), apesar de ter, realmente, um nome algo pomposo, é uma doença que não deve ser motivo de exagerada preocupação. Cerca de 90% dos casos ocorrem em idade pediátrica (até aos 18 anos). É uma vasculite, isto é, uma patologia em que há inflamação dos vasos sanguíneos em diferentes partes do organismo. Não se sabe a sua causa mas supõe-se que poderá estar relacionada com a produção, de forma transitória, por parte do nosso sistema imune (as nossas defesas) de anticorpos contra os vasos sanguíneos.A síndrome foi baptizada após as descrições, por Schönlein, da entidade clínica caracterizada por púrpura (manchas na pele de cor púrpura) e dor articular, e por Henoch, da frequente associação entre estes e sintomas gastrointestinais e envolvimento renal. A patologia é caracterizada por manifestações ao nível da pele, das articulações, do abdómen e dos rins. A pele é sempre atingida. Inicialmente aparecem umas "pintas vermelhas", chamadas petéquias (que não desaparecem quando as pressionamos com o dedo), tipicamente ao nível dos membros inferiores e de forma simétrica entre os dois membros. Estas vão-se juntando e formam conglomerados de cor vinosa, com relevo à palpação - púrpura.Na grande maioria dos casos há também envolvimento das articulações, com dor e, menos frequentemente, inflamação. As articulações mais afectadas são as dos membros inferiores, nomeadamente anca, joelho e tornozelo.O atingimento abdominal é também comum, com dor abdominal e mais raramente com emissão de fezes com sangue.Os rins são afectados num número menor de doentes. Neste caso, as manifestações são mais difíceis de detectar, podendo ocorrer elevação da tensão arterial ou alterações na urina como, por exemplo, aumento da excreção de proteínas. O envolvimento dos rins é o mais raro e é também o que causa mais preocupação a longo prazo.É uma doença autolimitada, isto é, que se resolve por si num período de tempo que, regra geral, não ultrapassa um mês. Os tratamentos são dirigidos à resolução dos sintomas, por exemplo, paracetamol no controlo da dor abdominal e articular.Apesar de ser considerada relativamente rara, pensa-se que deverão ocorrer muitos casos não diagnosticados por se confundir com outras patologias. Pode confundir-se com doenças igualmente benignas e autolimitadas mas também com outras doenças, bastante mais raras e mais graves. Os pais devem estar atentos aos sinais de gravidade como febre alta e prostração. É sempre importante que as crianças com as referidas petéquias sejam observadas por um médico, com maior ou menor urgência em função do estado geral da criança e da presença ou não de febre. O diagnóstico de PHS será estabelecido por um médico, que delineará o plano de seguimento, habitualmente vigilância das tensões arteriais e da urina (para excluir atingimento significativo do rim).Em suma, apesar do nome pouco comum e das manifestações clínicas por vezes exuberantes, a PHS é uma doença habitualmente benigna, com resolução a curto prazo, de forma natural e sem deixar sequelas. Causa por vezes grande apreensão e confusão, mas os pais deverão ter em mente que o prognóstico é, na grande maioria dos casos, excelente e que com alguma paciência, repouso e medicação para alívio dos sintomas tudo se resolverá.


Texto da autoria de Miguel Costa, com a colaboração de Helena Silva e Matos Marques, pediatras do Serviço de Pediatria do Hospital de São Marcos, Braga

O delírio total

Para nos aprovisionarmos de fatos de treino e sapatilhas para as aulas de ginástica da Joana, fomos à secção infantil do El Corte Inglès. Mas que perdição quando a Joana viu os triciclos, carrinhos, cavalos de montar e afins. Experimentou um a um, até mesmo uma esplanada em ponto pequeno, composta por um guarda-sol e duas cadeiras. Mas o que a Joana gostou mesmo foi um carro da Hello Kitty. Enquanto ela estava entretida, escolhemos dois pares de calças de fato de treino e respectivas T-shirts (de manga comprida):

As sapatilhas é que foi um caso sério para a Joana experimentar porque ela não gosta do descalçar e calçar. Mas que senhora-dona-birra para calçar as sapatilhas, até se deitou no chão e, eu, já nos malabarismos próprios para tentar ver se o 23 era o tamanho dela (sim, é)...

Por ora, a Joana tem gostado muito das aulas de ginástica, que têm lugar duas vezes por semana: é das que corre mais de um lado para o outro, já aprendeu a pular com os dois pés ao mesmo tempo, a fazer balanço com o corpo para a frente e também a dar cambalhotas.

Na próxima segunda-feira, arrancam as aulas de inglês: a Joana já está inscrita e eu estou deveras curiosa para ver a sua pasta de curso! A ver vamos qual irá ser a sua primeira palavra em "english"...descarto o "bye-bye", que ela já diz. Aposto mais numa das cores, talvez...

quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Cúmulo do cansaço

É começar a falar em inglês no meu local de trabalho com as minhas colegas e supervisora.

Isto porque durante esta semana temos tido a "visita" dos nossos directores alemães, sendo a língua mestra o inglês. Às tantas, dou por mim a falar nessa língua, relegando o português sei lá para onde...está bonito, está!

Adeus, boletim de vacinas!

Li ontem que, incluido no programa Simplex de simplificação administrativa, o boletim de vacinas será substituido por um registo informatizado. Mas como é que tal será feito? Haverá um cartão para o efeito, como se fosse um cartão do cidadão para as vacinas?

Qual SPA?

Descobri o melhor SPA do mundo: a minha filha!

Ontem ao serão tivemos as duas uma sessão de "beauty" com o 1er lait da Uriage. Ora colocava um grãozinho na mão dela para a Joana massajar as mãos e colorir o nariz de branco, ora a sua mãozinha ia directa às minhas próprias mãos, cara, orelhas e....cabelo! Não faz mal, creme em todo o lado. Vejam lá que até me deitei na cama para saborear melhor o carinho com que a Joana passava as suas mãozinhas pela minha cara. Nem que por vezes recebesse um "acorda, mãe!" na bochecha, vulgo, uma sapatada mais vigorosa. No fim, quando era hora de "encerrar" a embalagem de creme para "descanso de pessoal", a Joana desce da cama e diz-me "Upa, mãe, upa!". Toca a levantar mãe, então que preguiça é essa?!

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

10 coisas sobre o desenho infantil

O lápis fica no meio da pequena mãozinha, procurando o equilíbrio. A ponta encosta o papel e - meio recto, meio torto - o risco sai. O autor esboça um sorriso, olha para o adulto, procura cumplicidade no grande feito. Imaginem a emoção que vive a criança nos seus primeiros traços. O que precisamos nós de saber sobre o desenho infantil? Eis 10 tópicos esseciais:


1 - Expressão e emoção. A criança tem uma intensa elaboração mental enquanto desenha. É comum, enquanto o lápis risca o papel, ouvir as crianças narrando histórias que se passam com os personagens que traçam. É como o que acontece no brincar.

2 - Fases e estilos. Por mais que, no geral, a criança comece pelos rabiscos por prazer e vá mudando o traço até chegar a formas mais "reais", essas fases não são fixas. Ao longo da infância, as crianças podem ir e voltar várias vezes em determinados estilos, fazer um desenho característico de uma fase pela manhã e, à tarde, esboçar um desenho próprio de outra. E é por isso que não é adequado classificarmos os desenhos como "bom" ou "mau". O desenvolvimento da criança por meio do desenho não tem uma característica linear.

3 - Diferentes materiais. Procure oferecer diferentes suportes e riscadores para o seu filho. Papéis de diferentes texturas, cores e tamanhos, como lixa, papelão, papel manteiga, papel vegetal... Quanto maior a variedade, melhor. Entre os riscadores, varie os tipos de lápis, giz de cera e canetas. Cada material vai proporcionar um desenho diferente e, quanto maior a variedade, maiores as experiências das crianças.

4 - Espaço para desenhar. Tenha em casa um cantinho onde o seu filho possa desenhar, até pode ser no chão, caso ele prefira. Um caderno de desenho e um estojo com lápis apontados, gizes de cera e canetinhas devem sempre estar à mão. Se forem pincéis, tintas ou canetinhas, forre um pedaço do chão e deixe a criança à vontade.
5 - Um mundo novo. Desenhar é um reflexo do descobrir. Além de abrir um enorme leque para a expressão e a fantasia, o desenho também contribui para a exploração do real, já que chama a atenção para os seres e objectos e desperta a atenção para formas, texturas, tamanho, cores, volumes e proporções.

6 - Observar e lembrar. É comum as crianças desenharem de acordo com a lembrança que têm dos objetos - e não os observando. Procure ajudar o seu filho a despertar para o olhar. Use o quotidiano. Chame a atenção dele para uma janela grande, para as cores da água do mar, até para o desenho no chão com as gotas de água saídas de um regador, por exemplo. Descubram juntos texturas, formatos de folhas e de nuvens...

7 - Pais não são os 'grandes modelos'. Resista ao desejo de mostrar como desenhar. Apesar de desenhar em família ser óptimo, cada um deve ter seu espaço e seu traço.

8 - Crie referências. Visite museus, galeria de artes e onde tiver exposições que possam ser boas referências de arte para a criança, converse sobre o que for visto, o estilo do artista, compare. Livros infantis são também excelente estímulo - talvez o primeiro contato deles com uma obra de arte!

9 - Use fotografias. Para o francês Henri-Cartier Bresson, a maior referência em fotografia no mundo, a foto é um meio de desenhar. Fotografias podem render ótimos exercícios. Em uma exposição, por exemplo, converse com a criança sobre as formas, como pessoas diferem de objetos, os ângulos. Outra actividade é colocar uma folha de papel vegetal por cima de uma foto e, com um lápis, permitir que ela descubra as linhas principais e, quem sabe, a poesia que há nas grandes fotografias de todos os tempos (na internet há milhares de exemplos como sites de grandes fotógrafos ou temáticos).

10 - Não serve como avaliação psicológica. Muita cautela para usar o desenho como uma avaliação de aspectos intelectuais ou emocionais da criança. Chega a ser perigoso dizer, por exemplo, que cores escuras no desenho denunciam crianças deprimidas, por exemplo. Apenas em consultórios de psicólogos, em meio a várias outras ferramentas, eles podem ser usados para avaliação dentro de um contexto mais amplo.


Fontes: Laïs Krücken Pereira, especialista em psicologia de desenvolvimento humano, Ana Paula Martinho, coordenadora da área de artes da escola Estilo de Aprender (SP), psicóloga Mônica Cintrão, Kika Almeida Mendes, tutora de Artes da Educação Infantil da Escola Viva in Crescer http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI76230-15152,00-COISAS+QUE+VOCE+PRECISA+SABER+SOBRE+O+DESENHO+DO+SEU+FILHO.html

Pré-inscrição

Já fizemos a pré-inscrição da Joana no jardim-de-infância da nossa eleição. Pensamos que é, de facto, o melhor para o desenvolvimento dela em todos os quadrantes. O único senão é que as vagas são escassas e só em Janeiro é que saberemos se, de facto, a Joana ficou ou não na nossa primeira escolha. Preenchemos um formulário, pediram-nos referências (por exemplo, o nome da creche que a Joana frequentava e se, à falta de irmãos, haveria ou não familiares a frequentar o jardim-de-infância) e ficamos assim, mais ou menos em suspenso, até Janeiro. Que é algo com que eu não lido muito bem. Para mim é logo pão-pão, queijo-queijo. Há vagas, tudo bem, vamos preencher uma, é preciso pagar, tudo bem, quanto é...Agora esta espera...aiiii! Segundo nos disseram tal prende-se com o facto de em Dezembro haver uma reunião geral em que será feito um inventário das crianças que irão frequentar o jardim-de-infância no ano lectivo 2010/2011. Mais os irmãos dessas mesmas crianças. E uma vez que os 3 anos corresponde à idade mais concorrida (ou porque a criança transita da creche ou porque passa da casa dos avós ou dos cuidados da mãe para o jardim-de-infância), as vagas ficam mais apertadinhas. E a minha ânsia de saber se sim ou sopas também! A ver vamos, a ver vamos...como é que está a ser com vocês? Tem sido uma procura fácil ou nem por isso? E para quem procura creche, como é que tem sido o percurso de escolha?

terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Cereais pouco saudáveis

Com muito marketing e publicidade dirigidos às crianças, os cereais de pequeno-almoço fazem sucesso entre os mais novos. Mas a maior parte das marcas que enche as prateleiras de supermercado não oferecem um bom início de dia, do ponto de vista nutricional.
Têm em média mais 85 por cento de açúcar, menos 65 por cento de fibras e mais 60 por cento de sódio do que os cereais criados para os adultos. É essa a conclusão de um estudo da Universidade de Yale, nos EUA. Ao que parece, até há bons cereais à venda no mercado, disponíveis para quem quer fazer escolhas saudáveis. O problema é que esses não se encontram entre os que se dirigem especificamente às crianças.
Uma criança americana em idade pré-escolar vê, em média, por ano, 642 anúncios televisivos a cerais de pequeno-almoço, a maior parte dos quais não tem uma composição nutricional recomendável. O estudo revela ainda que alguns dos cereais menos saudáveis têm indicações na caixa que levam os pais a acreditar que são boas escolhas para a saúde das crianças.
O estudo foi apresentado esta semana no encontro anual da Obesity Society. Os investigadores consideram que as promessas de auto-regulação da indústria, neste sector, não têm passado disso mesmo e que os piores cereais do mercado são precisamente aqueles que são especialmente criados para crianças.


Pão em vez de cereais açucarados

A DECO já alertou para realidade semelhante no nosso país. Na edição de Outubro do ano passado da Proteste pode ler-se que foi identificado demasiado açúcar nos 171 cereais de pequeno-almoço analisados, à venda em 31 países, incluindo Portugal. Por isso, a DECO recomenda que os pais estejam mais atentos à quantidade de açúcar que oferecem aos filhos logo pela manhã: «Os cereais açucaradoos não devem ser a regra ao pequeno-almoço, mas a excepção. O pão, em especial o integral, é uma fonte mais saudável de cereais e fibras». A nutricionista Paula Veloso aconselha os pais a escolherem cereais e bolachas com pouco açúcar e pouca gordura e ricos em fibras.


Os kiwis

Confesso-vos, estou radiante: a minha filha gosta de kiwis!

Para além de ser uma excelente fonte de vitamina C, agora que o Inverno se aproxima e as defesas físicas têm que estar apuradas o mais possível, gostar de kiwis é raríssimo na nossa familia. Para terem uma ideia, do lado do Pedro ninguém gosta, do meu lado, apenas eu e o meu pai comemos kiwis. Agora, a Joana! Linda menina, sai à mãe :-)

segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

Palavras difíceis

Cada criança é única e essa individualidade é visível mesmo entre dois filhos de um mesmo casal, com cada um a desenvolver-se a um ritmo próprio.
Mas há momentos que deixam os pais mais ansiosos, na expectativa de que aconteça e receando um eventual atraso: o dos primeiros passos é um deles, o das primeiras palavras outro. E nesses momentos é quase inevitável uma comparação com o irmão mais velho ou com os filhos das amigas. Estará atrasado? Haverá algum problema?
São questões que os pais colocam a si próprios. É verdade que há crianças que começam a falar mais cedo do que outras, mas haverá uma idade certa para as primeiras palavras, o tão esperado "mamã" ou "papá"? A resposta à questão implica uma distinção entre a fala e a linguagem.
A fala é mais restrita, consistindo na expressão verbal da linguagem e incluindo a articulação de sons de modo a formar palavras. Já a linguagem é mais abrangente, envolvendo todo o sistema de receber e expressar informação de forma a que os outros percebam, a que faça significado - tem a ver com compreender e ser compreendido e diz respeito a toda a comunicação, seja ela verbal ou não verbal, falada ou escrita.
A linguagem vem, pois, primeiro, só depois surgindo a fala. E ela surge por patamares de desenvolvimento, correspondendo a determinadas idades.
Assim, nos primeiros meses de vida, os bebés usam a voz para se relacionarem com o ambiente, interagindo com os demais através do som. Mas é só pelos nove meses que começam a juntar os sons e a usar diferentes tons na comunicação.
A partir daí, em regra, são de esperar as primeiras palavras, quase sempre "mamã e papá", que repetem sem saberem o que significam. Antes dos 12 meses é necessário estar atento ao modo como os bebés reagem aos sons - um bebé que não volta a cabeça na direcção da voz pode, por exemplo, ter problemas auditivos que importa despistar o mais cedo possível.
Entre os 12 e os 15 meses, o "discurso" vai-se alargando, com mais algumas palavras como "bola" ou "bebé". Nesta idade, os bebés devem ser capazes de compreender e seguir instruções simples, como "pára".
Aos 18 meses, as crianças já devem possuir um vocabulário com 20 palavras e quando chegam aos dois anos deverão ser capazes de dizer 50 ou mais palavras, completas ou parciais. Aos dois anos também já sabem juntar duas palavras e seguir instruções em dois passos como "por favor apanha o brinquedo e dá à mãe".
Dos dois aos três anos dá-se um salto espectacular na fala infantil. O vocabulário expande-se significativamente, a criança já é capaz de juntar três ou mais palavras numa frase. A compreensão também se alarga e a criança consegue identificar cores e conceitos como "grande" por oposição a "pequeno".
Como saber então quando é que há atraso na fala? Os especialistas identificaram alguns sinais de alerta a que os pais devem estar atentos. Assim, um bebé que não responda aos sons ou que não vocalize deve merecer uma atenção particular, o mesmo acontecendo se, aos 12 meses, a criança não usar gestos para comunicar (como apontar e dizer "adeus"), se pelos 18 meses preferir os gestos às vocalizações e se, nesta mesma idade, tiver dificuldade em repetir sons.


Numa criança a partir dos dois anos, pode haver atraso se ela não produzir palavras ou frases espontaneamente, se usar apenas alguns sons ou palavras repetidamente, se usar a linguagem oral só para comunicar as suas necessidades mais imediatas, se não seguir instruções simples, se tiver um som de voz invulgar (arrastado ou nasalado).

Causas há muitas

São muitas e variadas as causas possíveis de um atraso na fala. Raramente fica a dever-se a deficiências na cavidade oral, na língua ou no palato, por exemplo, mas pode haver dificuldade em utilizar os órgãos envolvidos na fala para produzir sons, devido a uma deficiente comunicação nas áreas do cérebro responsáveis pela fala. Quando isso acontece pode haver também dificuldades na deglutição.
Outra causa possível é auditiva - uma criança que tenha dificuldade em ouvir pode ter igualmente dificuldade em compreender e usar a linguagem. A perda auditiva pode, por exemplo, ser o resultado de infecções repetidas do ouvido (otites).
Há, naturalmente, causas associadas a deficiência mental ou doenças como a paralisia cerebral e o autismo. Mas também as há relacionadas com o ambiente em que a criança vive: a falta de estímulo induz, com frequência, atrasos na fala e na linguagem.
É o que acontece quando a criança passa muito tempo com adultos ou quando eles conversam pouco com a criança, mas também quando, em vez de incentivarem a comunicação oral, se antecipam aos desejos da criança, satisfazendoos sem que ela tenha necessidade de os expressar.
A comunicação com as crianças é fundamental para o desenvolvimento da linguagem e da fala. Os adultos que com ela privam devem pronunciar as palavras correctamente, evitando falar "à bebé", aproveitando todos os momentos para a estimular - o banho, as refeições, as brincadeiras...
Perante as dúvidas, a opção mais segura é sempre consultar o pediatra, que, se necessário, encaminhará para um especialista. Na avaliação, o médico verifica o que a criança percebe, o que ela consegue dizer, outras formas de comunicação (apontar, abanar a cabeça, por exemplo) e as capacidades orais-motoras (como se articulam a boca, a língua, o palato para formar sons mas também para mastigar e engolir os alimentos).
O tratamento depende, naturalmente, da causa identificada, podendo, ou não, passar pela chamada terapia da fala, sessões em que o terapeuta estimula e desenvolve as capacidades de linguagem e fala da criança.
Paralelamente, há trabalho que os pais podem desenvolver em casa. Passando tempo com a criança, incentivando-a a repetir sons e gestos, usando as situações do dia-a-dia para a familiarizar com novas palavras, encorajando-a a manifestar os seus desejos verbalmente.
Os livros são uma ferramenta essencial nesta aprendizagem: a partir dos seis meses, os pais devem ler para o bebé e, à medida que ele vai crescendo, devem oferecer-lhe livros adequados, nos materiais e nas mensagens, que ele possa manusear e cujo conteúdo - os sons dos animais, por exemplo - possa imitar. A pouco e pouco, a criança irá memorizando palavras e até as suas histórias preferidas.

É, de facto, no dia-a-dia que se constrói a linguagem e, com ela, a fala, criando oportunidades de comunicação.
Porque uma criança é sempre produto da genética e do ambiente.

Sinais de aviso

Há, desde o nascimento, um conjunto de sinais a que os pais devem estar atentos, de modo a identificar precocemente eventuais problemas na fala e linguagem.
São sinais como:
• Fraco contacto visual;
• Pouca reacção aos sons (fala, música);
• Pouca reacção à presença ou aos estímulos dos pais;
• Não ser capaz de dizer palavras simples, como mamã e papá, pelos 12, 15 meses;
• Não perceber palavras simples, como não, pelos 18 meses;
• Não usar frases curtas pelos três anos;
• Ter dificuldade em perceber instruções simples pelos três anos;
• Não ser capaz de contar uma história simples pelos quatro, cinco anos.


Afinal havia outro...

E esse outro é o triciclo!

Apesar da Joana ainda gostar de andar no Quattro, ela começa a achar mais curiosa a complexa mecânica dos pedais de um triciclo. Assim, ontem de manhã fomos passear com ela ao parque e mal tiramos o triciclo do carro...



Upa, aqui vou eu, se me dão licença...

Mas, de vez em quando, lá se cansava...



Ora, assim bem empurrado vai bem!

Sempre que um outro menino ou menina se aproximava no seu próprio triciclo ou bicicleta e a Joana não estava montada no Ferrari multicolor, toca a protegê-lo muito bem com os braços e mãos, exclamando um "É meu, é meu!". Para que fique bem claro, ora está!